domingo, 7 de dezembro de 2008

Poesia da minha irmã... no seu aniversário

De hoje
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Vejo o reflexo nos óculos pousados sobre a escrivaninha
É o meu. Parece um palíndromo com sua imagem distorcida
Às vezes feia, outras vezes bonita
E o cinzeiro sempre cheio deixando aquele odor ocre no ar
Uma mistura de perfume e cigarro.
Ergo as mãos, os dedos a tocar os círculos ondulantes
Paro. Esvazio a mente fatigada. Quero repousar e descansar tranqüila.
Almejo uma amnésia irreversível. Não a partir de hoje, nesse aniversário,
A amnésia não seria temporal, mas situacional.
Hoje me sinto indubitavelmente melhor que ontem.
Amanhã serei melhor também, pois a balança está em pé de igualdade
A idade traz um peso bom e a essência de mim permanece
E assim vou sendo como posso, não me obrigo
Vivo e sinto o amor ao meu redor. O ano finda
E em meu silêncio, canto alto
E em posição estática danço, rodopio
Feliz! feliz por mim.

Gladys Ferreira

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